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​16.09.2026 | 22.ª Edição das Medalhas de Honra L' Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência | Teatro da Luz​


Começo por uma ideia que me parece importante.

Ouvimos por vezes, e por parte de alguns, uma certa desconfiança em relação ao setor privado.

Uma suspeita de que as empresas são um obstáculo ao desenvolvimento coletivo. Um obstáculo à igualdade e ao progresso social.

O prémio que hoje nos reúne mostra precisamente o contrário.

Há mais de 20 anos, uma empresa privada juntou-se a entidades públicas e internacionais para criar uma iniciativa que reconhece a excelência científica.

Que, ao mesmo tempo, promove e valoriza o papel das mulheres na investigação e no desenvolvimento.

E isso merece ser sublinhado.

É um bom exemplo de como o setor privado pode estar, como está tantas vezes, do lado das causas certas. E contribuir, também, para a construção do bem comum.

 

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Hoje, distinguimos quatro percursos de excelência.

Quatro mulheres investigadoras, que estão a desafiar barreiras e a construir novas soluções.

Cláudia Martins e Inês Alves, com trabalhos de ponta ligados à saúde.

Ana Esteves, com uma investigação ligada às microalgas.

Fátima Santos, com provas dadas no campo da produção energética.

As quatro, ligadas à Universidade do Porto. Um pormenor que, como portuense, não posso deixar de referir!

Percursos de mérito. Mas que não são casos isolados.

 

Portugal tem, desde 2020, mais mulheres doutoradas do que homens.

Estamos acima da média europeia, na percentagem de mulheres investigadoras, e de mulheres com patentes registadas.

E somos o sexto país europeu com mais publicações científicas da autoria de mulheres.

Estes números confirmam a trajetória do nosso país.

Tornou-se normal, e ainda bem, ver mulheres num laboratório.

A liderar grandes projetos de engenharia.

A conduzir investigação tecnológica de ponta. A construir conhecimento e a encabeçar equipas.

E ainda bem.

Porque Portugal não pode dar-se ao luxo de desperdiçar talento.

Queremos um país onde cada pessoa tenha a liberdade de seguir o seu caminho. De construir o seu projeto de vida. De criar, de inovar, de fazer a diferença.

Mas sabemos que ainda existem obstáculos.

Conciliar uma carreira com a vida familiar continua a ser difícil. E continua a ser mais difícil para as mulheres.

Ainda há mulheres que sentem que têm de escolher entre ser mães e prosseguir uma carreira.

Também aqui temos de continuar a fazer caminho.

Na sociedade. Nas empresas. E nas instituições.

 

O Parlamento tem uma responsabilidade particular.

Neste momento, está em discussão na Assembleia da República uma iniciativa, nascida na sociedade civil, para alargar as licenças de maternidade e paternidade. E para promover um maior equilíbrio entre pai e mãe.

O Parlamento tem trabalhado sobre esta matéria.

Os vários partidos têm defendido posições diferentes.

É próprio da democracia.

Mas há também uma vontade comum de encontrar a melhor solução.

Espero que seja possível fazê-lo em breve.

É um sinal de que, em Portugal, homens e mulheres, podem ser mais livres e mais iguais.

 

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Em março deste ano, recebemos na Assembleia da República cinco mulheres com percursos marcantes.  

Entre elas, Maria Arminda Santos, que pertenceu ao primeiro curso de enfermeiras-paraquedistas em Portugal. E Adelaide Patrício, uma treinadora que, aos 88 anos, continua a dedicar-se a esta missão.

Mulheres de uma geração que teve de vencer obstáculos.

Mulheres que tiveram de fazer primeiro aquilo que, depois delas, outras puderam fazer com maior liberdade. E que chegaram a lugares onde, antes delas, era mais difícil uma mulher chegar.

 

Hoje, felizmente, muitas coisas mudaram.

E as quatro investigadoras que aqui distinguimos são também a prova dessa mudança.

Outros fizeram, antes de nós, a parte mais difícil do caminho.

Cabe-nos a nós continuar.

Por respeito às gerações passadas. E em nome das gerações futuras.

Aos promotores deste prémio, ao júri e às quatro premiadas, muito obrigado por darem o exemplo.

 

Disse.​

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