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Introdução

Conventos de S. Bento da Saúde e das Francesinhas, c. 1854, aguarela de Jan Lewicki.
Conventos de S. Bento da Saúde e das Francesinhas, c. 1854, aguarela de Jan Lewicki.

O Palácio de São Bento tem as suas origens remotas no primeiro mosteiro beneditino edificado em Lisboa no ano de 1572, ocupando várias quintas, entre as quais uma adquirida a Antão Martines, onde se situara a Casa de Saúde para acolhimento dos pestíferos atingidos pelo surto de 1569. O mosteiro no século XIX passaria a ser o Hospital Militar da Estrela.

A necessidade de mais espaço para albergar uma comunidade religiosa em crescimento, assim como motivos de salubridade e o desejo de maior proximidade com o núcleo urbano e seus fiéis, originaram alterações à primitiva localização. Em 1598, a Ordem iniciou a construção do novo mosteiro em terrenos na zona limite inferior da cerca monástica, acrescida então pela aquisição de um olival próximo.
 
O novo edifício, conhecido como Mosteiro de São Bento da Saúde, ou dos Negros (pela cor do hábito beneditino), foi aí construído segundo projeto inicial do arquiteto régio Baltasar Álvares e continuado, após a morte deste, pelos monges Pedro Quaresma e João Turriano, satisfazendo agora as necessidades das novas práticas do culto religioso resultantes do Concílio de Trento.

O edifício, marcado por uma arquitetura de estilo-chão, habitado desde 1615, era agora mais complexo e extenso do que o primeiro em termos estruturais e espaciais: assentava numa planta quadrada com quatro claustros, uma igreja com capelas laterais, ladeada por duas torres, dormitórios, barbearia, cozinha, refeitório, adegas, lagar, forno e oficinas. No entanto, uma parte significativa nunca chegou a ser construída, nomeadamente o terceiro claustro, que ficou incompleto, e o último, apenas projetado.    

Ainda não haviam sido terminadas as obras quando o mosteiro sofreu alguns danos com o terramoto de 1755. Porém, foi na sequência da Revolução Liberal de 1820 e por decreto real de D. Pedro IV, em setembro de 1833, que a vida monástica sofreu a grande derrocada, sendo o edifício afeto à instalação do Parlamento e passando a designar-se Palácio das Cortes.

Foi, então, entregue à Repartição das Obras Públicas a responsabilidade de uma abreviada adaptação do espaço religioso às necessidades das novas funções, sendo aproveitada a Livraria conventual para a instalação da Câmara dos Pares e feita de raiz a Câmara dos Deputados, projetada pelo arquiteto Possidónio da Silva, salas inauguradas com a abertura das Cortes em agosto de 1834.

Só em 1865, o arquiteto Jean-François Colson projetou uma verdadeira reformulação, com a construção de uma nova sala para a Câmara dos Pares, no local da primeira sala, tornando-a mais funcional e digna da nova utilização.

O incêndio de 1895, que danificou a ala direita do edifício, tornou urgente a reconstrução da Sala da Câmara dos Deputados, tendo, para tal, sido aberto um concurso que selecionou o projeto de Miguel Ventura Terra, caracterizado por uma estética neoclássica, o qual, além da construção de uma nova sala e respetiva antecâmara – a Sala dos Passos Perdidos –, acabaria por remodelar grande parte do edifício monástico, conferindo-lhe monumentalidade, bem distante do discreto estilo-chão conventual, como convinha à importância do órgão de soberania aí instalado.

A partir dos anos 20 do século XX, a direção das obras foi entregue ao arquiteto Adolfo Marques da Silva que concebeu algumas alterações ao projeto inicial de Ventura Terra, não apenas nos pormenores finais das fachadas, mas também em detalhes no acabamento dos interiores e, essencialmente, ao nível de todo o programa decorativo. Outros arquitetos ficaram com a responsabilidade da reformulação da zona envolvente do Palácio, como Cristino da Silva, e de obras pontuais no interior, como António Lino.

Durante os 50 anos em que decorreram as obras, foram construídas também a Escadaria Nobre, a Biblioteca e o Salão Nobre, nos anos 30 e 40 do século XX, concebidos já segundo uma nova conceção estética e utilitária característica do Estado Novo.

Projeto do Mosteiro
Perspetiva do Mosteiro de São Bento da Saúde (pormenor), cópia anónima do projeto de Baltasar Álvares, c. 1730-1750, FBAUP.
Mosteiro de São Bento da Saúde
O Mosteiro de São Bento segundo uma vista inglesa de Lempriere, século VIII.
Mosteiro de São Bento da Saúde
Mosteiro de São Bento da Saúde numa vista panorâmica (pormenor), século XVIII (MNAA).
Palácio das Cortes
Palácio das Cortes, Caggiani, Arquivo Pitoresco, 1860 (HML).
Palácio das Cortes
Palácio das Cortes, Alberto Castro Lima, c. 1903 (AF-CML).
Palácio de São Bento
Palácio de São Bento, Luís Saraiva, 2016.