Ambos os painéis denunciam um conteúdo programático de carácter ideológico marcado pelos valores do nacionalismo, da religião e da tradição típicos da "política de realizações" do Estado Novo, configurada na campanha de António Ferro e baseada no ideário restaurador de Oliveira Salazar. Com efeito, tal como foi referido no jornal O Século Ilustrado, dando notícia da inauguração da obra pelo general Carmona (1944), pretendia-se que este conjunto pictórico funcionasse como um panfleto propagandístico da "síntese de uma Pátria" construída pelo povo, a "gente nossa, nossos avós remotos e nossos irmãos de agora", "caminhando através dos séculos", sendo salientada a idealização etnográfica das virtualidades populares. Para reforçar a dimensão de pintura de história e o imperativo tradicionalista, ambos os painéis foram concebidos num revivalismo goticizante, inspirado no então ex-libris da pintura nacional - os Painéis de São Vicente de Fora, da autoria de Nuno Gonçalves -, o que se reflecte apenas ao nível do adensamento da composição, do hieratismo e volumetria formais, bem como da estilização do desenho, embora denunciando uma incompreensão da complexidade e mestria compositiva, formal e cromática da obra quatrocentista. Feitos com base em numerosos estudos e esquissos que não resolveram o problema da articulação dos espaços pictóricos, a estes novos painéis faltou essencialmente o carácter genuíno dos primeiros e sobrou o desajustamento estético em relação ao modernismo das obras contemporâneas.